O cheiro da caneta azul, lembrou-me da infância.
Da época em que criávamos
arte nas mãos e braços, paredes e mesas. Arte sem sensura, sem vergonha.
Das mesmas canetas que
rascunhavam cenas de grandes peças teatrais, mais tarde apresentados à turma – e
aplaudidos.
Daquelas que criavam
cartas e bilhetes, portadores de juras de amor e amizade eternos; puras e
inocentes canetas, que deixavam bem-quereres nas orelhas das páginas.
Das canetas que levavam a
sério os estudos. Quando borradas, teriam mais tarde a chance de serem
reescritas numa nova e branca folha de papel.
Por fim, a tinta foi se terminando. Terminou junto
da ingenuidade.
Algumas foram subtituídas
por eletrônicos. Estes eram mais corrigíveis, sem erros ou rasuras. Foi ai que
acabou a autenticidade. Os garranchos caprichosos, foram substituídos por
fontes. Fontes que não exprimem emoção alguma, a não ser a emoção de CAIXA-ALTA
ou caixa-baixa.
Por último, as canetas de
tinta que ainda sobreviveram, assinalaram cartões-resposta. Não mais os rodapés
das páginas. Por último, marcaram o espaço da folha, reservado para a
assinatura do formando.
É, quem diria que a tinta
de uma caneta azul, fosse trazer tantas recordações.

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