quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cheiro de tinta


          


            O cheiro da caneta azul, lembrou-me da infância.
        Da época em que criávamos arte nas mãos e braços, paredes e mesas. Arte sem sensura, sem vergonha.
Das mesmas canetas que rascunhavam cenas de grandes peças teatrais, mais tarde apresentados à turma – e aplaudidos.
Daquelas que criavam cartas e bilhetes, portadores de juras de amor e amizade eternos; puras e inocentes canetas, que deixavam bem-quereres nas orelhas das páginas.
Das canetas que levavam a sério os estudos. Quando borradas, teriam mais tarde a chance de serem reescritas numa nova e branca folha de papel.
 Por fim, a tinta foi se terminando. Terminou junto da ingenuidade.
Algumas foram subtituídas por eletrônicos. Estes eram mais corrigíveis, sem erros ou rasuras. Foi ai que acabou a autenticidade. Os garranchos caprichosos, foram substituídos por fontes. Fontes que não exprimem emoção alguma, a não ser a emoção de CAIXA-ALTA ou caixa-baixa.
Por último, as canetas de tinta que ainda sobreviveram, assinalaram cartões-resposta. Não mais os rodapés das páginas. Por último, marcaram o espaço da folha, reservado para a assinatura do formando.
É, quem diria que a tinta de uma caneta azul, fosse trazer tantas recordações.

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