Acordo. Saio da cama para beber
um copo de água. Bebo. Percebo que a lâmpada não foi acessa. Mas não está
escuro, há luz entrando pela janela de vidro. Transparente. Aproximo-me.
Contemplo a lua, em fase cheia. Ela estava lá, enquanto sonhava. Ou tinha pesadelos?
Será que ela me visitou enquanto dormia, ou eu a teria visitado? Agora não
interessa mais. Percebo um rosto familiar no vidro, que agora não parece mais
tão transparente. O garoto parece maior que a cidade que o cerca. Parece preso
à penumbra. Havia visto aquele mesmo garoto, outras centenas de vezes, também
enquanto dormia. Ele abraçaria o mundo, com todas as pessoas nele, mas. Parecia
agora tão cansado, até para abraçar a si mesmo. Em sonhos parecia ser capaz de
tanto. Deve ser capaz de mais, sobretudo por si mesmo. Ora, você deveria voltar
a dormir, e rever o garoto nos sonhos. Pare de pensar tanto. Ou se concentre em
visualizar a lua, clara, dentro de um universo tão e quase negro. Há dualidade.
Assim como dentro de você, mas, volte a dormir. Você está pensando de novo. Reticências.
Antes que eu me esqueça.
domingo, 24 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Energia
Hoje eu estou em um
daqueles dias energéticos: olhos espiando por todos os lados, ouvidos
capturando sussurros, pés chacoalhando e com eles as pernas. As mãos não cansam
de estalar os dedos, ou esfregar-se, como se sentissem frio – coisa rara, dada
a estação do ano em que estamos.
A mente. Bom a mente está
distante. Já são quase dez horas e ela ainda vaga por ai. Ela não tem um
destino comum, apenas viaja. Talvez quisesse que o corpo fosse junto. Talvez seja
por isso, que ele parece tão inquieto.
Ele gostaria sim, de estar
nos mesmos lugares que a mente. Gostaria de segui-la, de leva-la para dançar. Gostaria
de leva-la a um canto, onde pudesse repousar ou simplesmente um lugar, de onde
pudesse viajar ainda mais, para mais longe, fluir-se.
Ah, como desejará a
mente, elevar com ela os pés do chão. Quem sabe um impulso mais. Ou um sorriso,
um sorriso poderia tirar os pés dali. O sorriso certo.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Síndrome
Como que as pessoas fazem, para não se preocupar? Ou.
Como se chama a síndrome de preocupar-se demais, com o que não te pertence?
Burrice?
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Tempos modernos
“- Olá, tudo bem?
- Oi, tudo e contigo?
- Quer transar?”
O descrito acima, é o resumo dos relacionamentos atuais.
As pessoas perderam a noção de conhecer-se e de admirar uma outra pessoa
pelo que ela pensa. O interesse “moderno”,
é pelo produto final resultante das horas passadas numa academia. Não existe
mais o olhar admirador. Foi trocado pelo olhar de caça. As pessoas se aproximam
ao extremo de outra pessoa e no outro dia, se afastam. Nem ao menos se
reconhecem mais. As relações se tornam estéreis de sorrisos. Acabam da mesma
maneira como começaram, rápido. E vai-se perdendo o gosto por amar e se sentir
amado.
Isso é papo de romântico, eu sei. Ou talvez eu ainda não tenha crescido
o suficiente. Mas ainda acredito nas paixões. No apaixonar-se. Apaixonar-se por
uma pessoa que te acha engraçado, ou que te faz rir. Acredito no olhar nos
olhos, sincero, seguido de um riso tímido. Perdeu-se o interesse em conhecer
afinidades, em discutir assuntos ou simplesmente, jogar conversa fora.
Acredito em conhecer uma pessoa, entender como pensa, como se relaciona.
Acredito em conhecer os sonhos dela e me identificar com eles.
Não pensem que eu não gosto de sexo. Acredito que ele seja o produto
final, gerado da confiança e da intimidade. Fica melhor, quando você sabe onde
tocar. Fica melhor quando você sabe o que sentir. Não apenas tocar por tocar,
sentir por sentir. Também ajuda a não se sentir um produto qualquer.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Raízes
Os olhos estavam ali,
presos em suas orbitas, imóveis. Tinham coloração verde-limão, e as púpilas,
minúsculas, focavam-se na parede, branca, como se mirassem um grão de areia preso
ao cimento.
A mente estava em algum
outro local. Organizando e escolhendo em detalhes, imagens e lembranças,
algumas desfocadas e vagas. Procurava por algum momento do passado, onde havia
perdido sonhos.
Continuava buscando,
revirando, como um louco que procura entre escombros, alguma resposta. Como
chegou até ali?
Sabia que no anseio de
ser aceito, havia deixado para trás parte de si mesmo. Quem sabe por medo. Quem
sabe por apego. Quem sabe por temer a sua própria e real faceta. Nem ao menos
sabia o quanto era valorosa.
Tornara-se uma pessoa
diferente, do que desejou ser na infância. De qualquer modo, não havia deixado
de lutar, de ser forte. Aquele traço estava ali, ainda exercia alguma
influência em seus movimentos, um tanto quanto calculados.
Porém, esse mesmo traço
de força, queria romper as estruturas da máscara que havia criado. Queria se mostrar
da maneira como era, e não da maneira como os outros esperavam. Queria deixar
que cicatrizassem os machucados causados pela doença de agradar aos outros. Queria
agradar a si mesmo.
Voltou à atenção ao que
estava mais profundo, quase inatingível. Como se mergulhando num mar gelado e
escuro, desceu mais fundo do que poderia se recordar. Tocou páginas brancas,
rabiscadas com desenhos e textos. Inéditos traços de personalidade, que lhe
pareciam tão distantes, apareceram tão claros quanto as lágrimas que escorriam
pelos mesmos olhos, que dantes estavam vidrados. Agora estavam embaçados, como
que atingidos por uma chuva de verão.
Veio a melancolia e a
saudade. Aflorou-se novamente a força. Esboçou um sorriso, que nunca deveria
ter saído dali.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
É o que tem
Hoje eu quis escrever, ainda
que sem saber sobre o que.
Talvez se eu falasse
sobre o incêndio. Mas eu nem aguento mais ouvir falar sobre, imagine se eu
escrever.
É. Estou ocioso,
hiperativo e ansioso. E a banda larga, não contribui para que o rumo disso se
altere.
Também não quero escrever
um texto de ajuda, como fiz na outra postagem. Achei desnecessário. Muito mais
interessante, escrever minhas autoanálises.
Como no dia, em que me
peguei refletindo sobre o verdadeiro valor, de se sofrer por alguém.
Daquele tipo de
sofrimento, em que você entra numa depressão profunda e sádica. Sádica, quando
a pessoa está, com perdão do palavrão: cagando para você. Na verdade, todo tipo
de sofrimento por amor, deve ser sádico. A menos que seja do tipo, sou sem
confiança o suficiente para falar o que sinto. Nesse caso, sinto muito, mas
deprima mesmo, porque se você não falar, você não vai nem ao menos ter a chance
de se deprimir, por tomar um fora.
Voltando ao assunto de,
não estar nem cagando para mim. Não vou escrever sobre isso também. Eu não
mereço gastar tempo da minha vida com isso mais. Estou cagando para isso.
E fim. Acabou o amor e o
texto.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Tempestade
“How long have I been in this storm?
So overwhelmed by the ocean's shapeless form
Water's getting harder to tread
With these waves crashing over my head”
Lifehouse
- Storm
Agora a pouco, uma música
me fez refletir, sobre estar bloqueado.
Sobre ter uma tempestade
de emoções, sendo retidas por outra tempestade.
A primeira tempestade é
minha essência. Essa quer se mostrar. Procura sair pela face, mãos, braços,
pernas.
A segunda tempestade
retém a primeira. Ela se chama medo.
Mas medo de que afinal?
Das outras pessoas. As
outras pessoas também podem ser tempestades. Brancas, azuis, rosadas ou negras.
Nunca se sabe.
E o nunca saber, acaba
por criar a segunda tempestade. Aquela que esconde a essência.
E a essência única é
perdida. Por medo do nunca se sabe.
E por nunca se saber,
acabamos por tornar o planeta uma terra de padrões. Essências irreais. Gestos,
palavras e ações irreais. Engolidas goela abaixo como que tomadas com água.
O ego medroso da não
exposição, se junta ao nunca se sabe. Não posso parecer ridículo. E se ninguém
gostar? E se me criticarem?
Acaba por esquecer o que
tem de mais valioso. A individualidade. A essência. O expressar-se.
Questione-se. Crie tempestades
sobre as tempestades. E então se expresse. Demonstre. experimente-se. Transborde essência pelos
olhos, pelo sorriso, pelas bochechas. Se faltar espaço, lembre-se que ainda
falta transbordar o corpo inteiro. Olhe para dentro e transborde.
Às
vezes pode parecer difícil. E quem sabe você tenha boas desculpas para não
fazê-lo. Mas faça. Para vermos o Sol, é necessário que a tempestade passe,
limpe. E o que seria do Sol, se tentasse ser alguma outra estrela?
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