sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Tempestade



“How long have I been in this storm?
So overwhelmed by the ocean's shapeless form
Water's getting harder to tread
With these waves crashing over my head”
Lifehouse - Storm






Agora a pouco, uma música me fez refletir, sobre estar bloqueado.
Sobre ter uma tempestade de emoções, sendo retidas por outra tempestade.
A primeira tempestade é minha essência. Essa quer se mostrar. Procura sair pela face, mãos, braços, pernas.
A segunda tempestade retém a primeira. Ela se chama medo.
Mas medo de que afinal?
Das outras pessoas. As outras pessoas também podem ser tempestades. Brancas, azuis, rosadas ou negras. Nunca se sabe.
E o nunca saber, acaba por criar a segunda tempestade. Aquela que esconde a essência.
E a essência única é perdida. Por medo do nunca se sabe.
E por nunca se saber, acabamos por tornar o planeta uma terra de padrões. Essências irreais. Gestos, palavras e ações irreais. Engolidas goela abaixo como que tomadas com água.
O ego medroso da não exposição, se junta ao nunca se sabe. Não posso parecer ridículo. E se ninguém gostar? E se me criticarem?
Acaba por esquecer o que tem de mais valioso. A individualidade. A essência. O expressar-se.
Questione-se. Crie tempestades sobre as tempestades. E então se expresse. Demonstre.  experimente-se. Transborde essência pelos olhos, pelo sorriso, pelas bochechas. Se faltar espaço, lembre-se que ainda falta transbordar o corpo inteiro. Olhe para dentro e transborde.
                Às vezes pode parecer difícil. E quem sabe você tenha boas desculpas para não fazê-lo. Mas faça. Para vermos o Sol, é necessário que a tempestade passe, limpe. E o que seria do Sol, se tentasse ser alguma outra estrela?

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