domingo, 24 de novembro de 2013

À noite, pela janela

Acordo. Saio da cama para beber um copo de água. Bebo. Percebo que a lâmpada não foi acessa. Mas não está escuro, há luz entrando pela janela de vidro. Transparente. Aproximo-me. Contemplo a lua, em fase cheia. Ela estava lá, enquanto sonhava. Ou tinha pesadelos? Será que ela me visitou enquanto dormia, ou eu a teria visitado? Agora não interessa mais. Percebo um rosto familiar no vidro, que agora não parece mais tão transparente. O garoto parece maior que a cidade que o cerca. Parece preso à penumbra. Havia visto aquele mesmo garoto, outras centenas de vezes, também enquanto dormia. Ele abraçaria o mundo, com todas as pessoas nele, mas. Parecia agora tão cansado, até para abraçar a si mesmo. Em sonhos parecia ser capaz de tanto. Deve ser capaz de mais, sobretudo por si mesmo. Ora, você deveria voltar a dormir, e rever o garoto nos sonhos. Pare de pensar tanto. Ou se concentre em visualizar a lua, clara, dentro de um universo tão e quase negro. Há dualidade. Assim como dentro de você, mas, volte a dormir. Você está pensando de novo. Reticências.



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